Débitos acompanham o veículo, não o dono. Veja o que aparece na consulta por placa, o que ainda não aparece, e por que a pontuação segue um caminho diferente do dinheiro.
Há uma frase que resume o motivo de esta consulta existir: débito de veículo é do veículo. Não do dono, não de quem estava dirigindo, não de quem cometeu a infração — do carro.
Quem compra, herda. E costuma descobrir na hora de licenciar, meses depois, quando não há mais com quem negociar.
Esta é a distinção que quase todo guia omite, e ela decide o que você deve procurar:
| item | segue o carro | segue a pessoa |
|---|---|---|
| IPVA atrasado | sim | — |
| licenciamento vencido | sim | — |
| valor da multa | sim | — |
| pontos na carteira | — | sim (do condutor identificado) |
| seguro obrigatório de exercícios anteriores | sim | — |
O dinheiro fica com o veículo; a pontuação vai para quem dirigia. Se o infrator não é identificado dentro do prazo, os pontos recaem sobre o proprietário à época — o que significa que uma multa antiga do vendedor não põe pontos na sua carteira, mas o valor dela continua sendo cobrado do carro que agora é seu.
IPVA por exercício. Cada ano em aberto aparece separado. Importa: dois anos de IPVA de um carro popular já é uma fatia relevante do preço de venda.
Licenciamento. Vencido, o veículo está irregular para circular — e a regularização depende de quitar tudo o que está pendente antes.
Multas registradas, com data, local, descrição e valor, mais o total somado.
O total é o número que interessa na negociação. Não como reclamação, mas como conta: um veículo com R$ 2 mil em aberto vale R$ 2 mil a menos, e essa é uma conversa objetiva.
Uma multa passa por etapas antes de existir como débito consultável:

Entre 1 e 2 podem se passar dias ou semanas. Uma consulta limpa hoje não prova que não houve infração ontem. Não é falha do dado: é o intervalo entre o fato e o registro dele, e ele existe em qualquer fonte, inclusive no site do próprio Detran.
O caso que mais demora é a multa cometida em outro estado, que trafega entre órgãos antes de chegar ao registro do veículo. Um carro que rodou por vários estados merece uma segunda consulta mais perto do fechamento.
Débito pequeno e antigo se resolve no preço. Peça o abatimento e confira, na transferência, que foi quitado.
Débito grande muda a natureza do negócio: quem vende um carro com vários anos de IPVA em aberto normalmente não tem o dinheiro para quitá-lo, e a quitação vai sobrar para você. Isso é preço, não detalhe.
Sequência de multas graves é outra história. Ela não é só dinheiro: pode indicar processo de suspensão em curso e um veículo usado de forma que encurta a vida dos componentes. Vale como sinal, não como veredito.
Débito é um dos itens do roteiro, não o roteiro inteiro. Vale conferir na mesma passada se há gravame ativo, que trava a transferência independentemente de estar tudo pago, e se o valor pedido faz sentido — porque a soma dos débitos só vira argumento quando existe uma referência de preço para descontar dela.
O roteiro completo, na ordem em que a compra acontece, está neste post.